Rogaciano Leite Filho. Mundo futurístico de Luiz Hermano. Publicado no jornal O Povo, em 25/07/1987; por ocasião da exposição na Arte Galeria, Fortaleza, CE – 1987

Uma sala escura, com focos de luz direcionados para quatro grandes painéis, onde são destacados o infini­to do universo, as estrelas, espaço-naves, seres humanos e máquinas de um futuro distante… Esta é a pro­posta do artista plástico cearense Luiz Hermano selecionada para a Bienal Internacional de São Paulo, a ser realizada no período de dois de outubro a treze de dezembro. Mais uma vitória para a carreira de Her­mano, cuja produção integra agora a lista dos 23 artistas escolhidos entre quinhentos inscritos.

Além do colorido que lembra as co­res nativas do Nordeste, a atual pro­dução de Luiz Hermano nos remete ao desconhecido, seja diante da ex­plosão de uma supernova ou na compreensão do próprio significado do homem na grandeza do universo. Uma espécie de “transcendência es­piritual”, como ele mesmo prefere si­tuar tal fase. Na primeira vez que participa da Bienal, tentará passar para os milhares de frequentadores da mostra a consciência de que não é apenas o homem o único centro de todo o infinito.

Na grande dimensão dos traba­lhos, a evidência de que há ainda muito de mistério a envolver o futuro da humanidade. Entre espaçonaves e máquinas imaginadas na literatura de ficção, ele procura sensibilizar as pessoas para além dos limites da realidade massacrante do cotidiano. Novos horizontes estão à espera de descobertas. Há verdades maiores por detrás do stress, da angústia e do desamor provocados pela socieda­de moderna. Com o título de “Astro­naves”, o conjunto de painéis sugere vibração, fantasia, num ludismo que atrai adultos e crianças.

Para Luiz Hermano, a Bienal se reveste de importância a partir das discussões originadas pelos traba­lhos apresentados. A maior mostra de arte da América do Sul vem recu­perando aos poucos o antigo prestí­gio, apesar das críticas. No ano pas­sado, foi vista por mais de duzentas mil pessoas, contribuindo para a di­vulgação de artistas que às vezes não têm chance de penetrar no difícil mercado de arte, em nível nacional.

Sem filiar-se a tendências ou esco­las da moda, Luiz Hermano quer se­guir caminho independente. A preo­cupação é transmitir o seu estado de espírito, em busca de algo que reali­ze sua vontade de sempre prosseguir no caminho da arte. Radicado em São Paulo desde 1979, onde aprimo­ra cada vez mais o nível de informa­ção, Luiz Hermano não está ainda entre os que se privilegiam do restri­to mercado paulista. Mas tem o reco­nhecimento da qualidade de seu tra­balho, expresso em críticas elogiosas e no poder que a pintura ainda exer­ce no público. No próximo dia cinco de agosto, ele inaugura nova exposi­ção na Arte Galeria, explorando ae­ronaves como novo tema.