Paula Braga. Tramando mundos. Publicado no folder da exposição na Fundação Edson Queiroz, Fortaleza, CE – 2012

A exposição de Luiz Hermano “Tramando Mundos” apresenta o interesse cosmológico do artista em obras feitas entre 1980 e 2011.

Formar mundos e meditar sobre a matemática do universo são interesses que unem todas as obras, desde as aquarelas com temas míticos às mais recentes grades geométricas. Como se colocasse em jogo tentativas de compreensão da origem e possibilidades de conexão com o universo, Hermano busca em várias culturas as estruturas para suas composições intrincadas, tecidas pela mão que vai pensando as tramas, enquanto a mente se esvazia da banalidade do cotidiano. A mão se move rápida e pensa com contas de plástico, capacitores eletrônicos, tubos de alumínio…

 

Religião, consumismo e tecnologia estão trançados nos fios de arame de Hermano. Na Tailândia, na Índia, na China, o artista encontrou estátuas de budas em construções milenares, erguidas segundo a geometria sagrada, e se encantou com mandalas que esquematizam o universo. Mas também passeou pelas ruas de comércio de quinquilharias de plástico, de brinquedos piratas, de computadores de procedência duvidosa. O sagrado é aqui enovelado com o profano, pois o artista não pretende escapar do mundo cotidiano, mas achar nele mesmo a transcendência.

 

Luiz Hermano medita enquanto faz suas obras. Ele entra em um estado mental similar ao da criança brincando e, enquanto sincroniza o movimento de suas mãos com a frequência de suas ondas cerebrais, ergue uma área onde a ilusão de ser um com o universo se integra com a consciência de ser separado desse universo. Nas tramas criadas por Luiz Hermano, a ilusão de estar em controle e ser capaz de mapear o mundo construindo objetos coexiste em paz com a frustração de ser um ente de duração finita em um universo que existe em um tempo infinito.