Maria Hirszman. Cubo inspira esculturas de Hermano. Publicado no Jornal da Tarde, em 08/05/1997; por ocasião da exposição na Galeria Valu Oria, São Paulo – 1997

Após três anos sem reali­zar exposições individuais em São Paulo, Luiz Herma­no volta a mostrar a partir de hoje na Galeria Valú Ória uma série de 16 escul­turas inéditas.

Tendo como peça central o Cubo Desmontável ­- obra composta por 64 pe­quenos cubos que permitem múltiplas combinações – a mostra revela como o artista cearense foi simplificando suas construções tridimen­sionais. Ele expõe pela pri­meira vez as pesquisas que vêm desenvolvendo em tor­no do quadrado, “a forma mais simples inventada pelo homem”, diz ele.

No entanto, a busca de formas mais clássicas e geo­métricas não quer dizer que artista tenha abandonado a alegria e o aspecto lúdico presentes em seu trabalho desde o início da carreira em1979. “Faço questão de fa­zer uma arte poética, bonita, para atiçar a imaginação das pessoas”, explica.

As obras expostas na ga­leria revelam como Her­mano consegue criar a par­tir do metal (cobre, alumínio, bronze ou latão) um universo de formas sen­suais que atraem o toque e olhar. Seus trabalhos es­tabelecem um claro diálo­go com o construtivismo brasileiro, desenvolvido nos anos 60 por artistas co­mo Lygia Clark e Hélio Oi­ticica. “Este foi o movi­mento artístico mais vigo­roso, mais autêntico, que aconteceu no País”, diz ele.

Aliando a pesquisa for­mal a elementos ornamen­tais, o artista também recu­pera a herança artesanal e imaginário popular. “Es­tou tentando fazer uma ar­te brasileira, próxima de minhas raízes”, explica Hermano, que nasceu na região rural do interior do Ceará.

É verdade que nas obras recentes de Hermano não se encontram tantas refe­rências explícitas a elemen­tos figurativos como os ba­lões, animais e seres fantás­ticos que povoavam princi­palmente suas gravuras. Mas em esculturas como Torre é possível identificar que estes elementos conti­nuam presentes em seu tra­balho. Apesar de ser uma construção geométrica, es­ta coluna em forma de es­trela lembra a forma da ca­rambola, fruta nordestina que remete ao universo imagético de sua infância.