Lorenzo Mammí. As aventuras do desenho. Publicado na Revista da Folha, por ocasião da exposição Retrospectiva na Galeria Montesanti-Roesler, São Paulo – 1992

Luiz Hermano começou como desenhista e gravurista. De formação técnica, inventa máquinas imaginárias semelhantes a mons­tros ou brinquedos, desenhadas às vezes sobre um fundo quadriculado como o de cadernos infantis. O estilo de suas gravu­ras, com traços incisivos e densamente entrelaçados, se reconhece também nos óleos e acrílicos sobre tela que começou a pintar na década de 80. Na última Bienal de São Paulo o artista cearense apresentou esculturas também baseadas sobre um emaranhado de linhas. As linhas já não eram traços ou pinceladas, mas lâminas de mogno entrelaçadas para formar estruturas tridimensionais. Em suma, seu ponto de partida é sempre o desenho, que a pintura e a escultura apenas traduzem em cores ou volumes. Nem sempre a operação dá totalmente certo: a produção mais madura de Luiz Hermano continua a ser a gravura. Mas essa ligação imediata com sua experiência de desenhista é o que garante à sua obra a qualidade e o caráter pessoal. A exposição da Montesanti é uma retrospectiva de dez anos de produção e inclui gravuras, pinturas e esculturas, algumas inéditas.