Estrigas. América Latina lata de sardinha. Publicado no folder da exposição no Náutico Atlético Cearense, Fortaleza, CE – 1977 -

Luiz Hermano é um desses jovens que atendem ao desejo imperioso (e quem não desejaria atender!?) de viajar, conhecer outras terras, outros meios, outra gente e outras coisas. E assim fez, como os jovens fazem, sem pensar nas dificuldades, indo de qualquer jeito, vencendo espaço como lhe era dado e vivendo como as condições permitiam. Rompeu grande parte do Brasil, furou fronteiras e percorreu países vizinhos. Foi uma aquisição magnífica de experiência de vida, onde seus sentidos captaram tudo aquilo que, mais de perto, falava à sua receptividade.

No desenrolar dessa aventurosa viagem, Hermano foi colhendo, “por entre flores e espinhos”, conhecimentos e emoções que sua personalidade jovem, em formação, ia gravando e sedimentando, desenvolvendo seu mundo interior ao contato, variado, de um outro mundo, exterior, até então não visto, não sentido, não vivido, em tão largo espectro.

Sendo Hermano um artista, logicamente todo esse impacto recebido teria uma resposta na mesma intensidade com que o afetara. Vêm daí esses trabalhos, essas pinturas, explosões que libertam as emoções que se sucederam, que se substituíram, ao bom e ao ruim de sua caminhada de destino incerto.

“América Latina Lata de Sardinha”, como diz Hermano, já é a sensação maior, geral, de quem se viu, ou sentiu-se, imprensado, por onde andou, quer em transporte, quer em outros aspectos da vida. Mas o artista ganhou. Seu colorido vivo, explosivo, liberto, servindo a uma forma também livre de um contorno impositivo, é o reflexo da ânsia de liberdade e da sucessão rápida das emoções como consequência de passagens imediatas de fatores sensibilizadores que pontearam sua vivência. A própria falta de fundo, nos seus trabalhos, mostra como passou, rápido, de uma emoção a outra, marcando mais os elementos conteudísticos que o ambiental.

Assim temos Hermano se apresentando, pela primeira vez, com os trabalhos que lhe garantem um bom início de carreira, e que são frutos também de sua primeira visão de um pedaço de mundo tão igual e tão diverso na sua feição material e humana.

É sempre bom o aparecimento de jovens artistas que proporcionam a renovação e continuidade do produto de arte, e Hermano, com sua sensibilidade e inteligência, por certo continuará desenvolvendo seu processo artístico que começa sua marcha, pede licença, e se apresenta nesta mostra de um valor significativo.