Vitoria Daniella Bousso. Astronave. Publicado no catálogo da 19ª. Bienal Internacional de São Paulo e no cartão postal – 1987 –

O trabalho de Luiz Hermano, por si só, dispensaria qualquer tipo de apresentação.

Trabalhando desde 1976, firmou-se como gravador e desenhista, pas­sando para a pintura em 1983. Neste meio, o aperfeiçoamento técnico e qualitativo se deu de dois anos para cá, revelando decisão e firmeza na fatura.

Este artista de produção tensa e abundante nos transporta a um uni­verso onde o lúdico e a ficção se fundem, permeados de fantasias, símbolos e lembranças de infância: brinquedos, kits de montagem, fi­guras arquetípicas configurando magia e sonho.

Da gestualidade e da imagem visceral, explodem formas e colorido in­tenso, em constante movimento, como partículas soltas ou em trânsito pelas galáxias.

Insatisfação e fúria de pintar geram um desafio ao tempo, à sua veloci­dade. Ao expressar sua poética a um quinquênio do ano 2.000, (futurista???) elabora visualmente o projeto estético de um futuro agora próximo, já cantado por poetas e pensadores: o da era espacial

Em “Astronave”, o homem que se precipita para o futuro embarca na utopia do vôo; dirigíveis, bélicos, balões, naves e astronautas transi­tam em busca de transcendência, de um momento espiritual. O imagi­nário do pintor faz o nosso olho viajar do passado para o presente, do presente para o futuro.

Instigante, este artista não pode ser enquadrado em nenhuma tendên­cia. Tem a sua própria estética, uma estética que convive em harmonia com diversas tendências das neo vanguardas, (expressionismo, construtivismo, op) não se esquecendo, no entanto, das suas raízes culturais: os sertões do Nordeste (o circo, o colorido das civilizações mambembes e tupiniquins), e a América Latina(os símbolos e arquéti­pos das civilizações Mayas e Inces).

São as diabruras da cor e do gesto, num constante convite ao olhar. Futurista?