Antônio Gonçalves Filho. Luiz Hermano volta à caverna. Publicado no jornal Folha de S.Paulo, em 15/03/1990; por ocasião da exposição no Museu de Arte Contemporânea da USP – 1990

De tanto fazer gravura, o artista plástico Luiz Hermano. 35. resolveu chegar à terceira dimensão ampliando a trama existente em seus trabalhos e fazendo o que ele chama de “bordado de macho”. Levou dois meses para criar o maior, uma inacreditável e gigantesca rede de arame colocada na parede central da sala onde se encontra a instalação “Imagem/Objeto”, no MAC.

A “aventura volumétrica”, segundo definição da diretora do museu, Ana Mae Barbosa, não tem fim. O espectador sente-se no fundo do mar com submarinos de resina e gesso, bombas de isopor e até uma bóia feita de jornais e sete pincéis. Fincados para reforçar o signo da própria destinação artística dos sobreviventes.

Hermano, que esteve na Bienal de 1987, não teme a representação ou formas arquetípicas simplificadas, mesmo tendo como vizinhos Albers, Bartling e Max Bill, cuja “Unidade Tripartida” funciona como um totem na mostra de arte abstrata. Um totem da modernidade bem em frente a uma sala onde se faz o elogio do arcaico. Em certo sentido, a trajetória de Herma­no elege o caminho inverso, voltando à caverna para deixar de ser moderno e ser apenas eterno, como dizia Drummond.