Alberto Beuttenmüller. Infantil insolência de Luiz Hermano. Publicado na revista Visão, em 02/09/1987; por ocasião da exposição na Arte Galeria, Fortaleza, CE – 1987

Da terra ao azul infinito, um artista com linguagem própria.

Luiz Hermano expõe a série Aero­planos simultaneamente em Fortaleza, na Arte Galeria, e em São Paulo, na Montesanti, enquanto prepara sua par­ticipação na Bienal de São Paulo, em outubro, com o projeto Astronave. Cearense de Preaoca, onde nasceu em 1954, iniciou seu trabalho em artes vi­suais em 1977. Morando em Santa Te­resa, no Rio, os desenhos de Luiz Her­mano eram então nervosos e líricos, sempre com um toque infantil. No início era telúrico; sua mitologia de fau­nos, duendes e centauros se deliciava no paraíso criado por sua imaginação.

O percurso artístico de Luiz Herma­no vai da mitologia telúrica dos fau­nos, duendes e centauros às espaçona­ves, aeroplanos, astronaves, fechando assim um ciclo, da terra ao espaço side­ral. Em função da temática, a técnica também mudou: antes pintava com pigmentos da própria terra, que colhia em Minas; agora está pintando com tinta acrílica. Poucos sabem, porém, que Luiz Hermano é um notável grava­dor em metal. A gravura deu disciplina a ele e a seu lírico desenho, enquanto sua pintura encontrou-se com a emo­ção das cores fortes, pueris.

Com sua cosmovisão atual, criou uma cosmogonia, em substituição à mitologia telúrica. Nessa transforma­ção houve uma transubstanciação na linguagem plástica, tornando-a mais cúmplice da época em que vivemos. O processo criador de Luiz Hermano, en­tretanto, não se modificou, permanece fantástico, utópico, insolentemente in­fantil.