2018 – XI Teoremas – Álbum de Serigrafias – Galeria Lume, São Paulo, SP

Fabio Magalhães. XI TEOREMAS.

As serigrafias que compõem o álbum XI Teoremas são poemas visuais que nos encantam pelos seus desdobramentos geométricos e pelas distintas configurações que as formas assumem no espaço.

Luiz Hermano criou zonas abertas e livres, habitadas por linhas que se articulam sempre em contraste com um plano de cor. Nos Teoremas as linhas se multiplicam para construir uma vasta geografia, território que se amplia de modo incomensurável – como galáxias.

O teorema, em si, nada mais é do que uma afirmação. E a poética de Luiz Hermano traz o princípio de que cada linha se agrupa com outra, e mais outra, para formar cubos, retângulos, trapézios e tramas que se sucedem e se transformam – a geometria organiza e determina o comportamento do espaço.

As unidades geométricas criadas pelo artista configuram forças que se atraem, que se associam ou que se repelem em ritmo intenso. Os conjuntos visuais revitalizados se manifestam em permanente movimento, como se estivéssemos diante de um jogo sendo jogado. Mas, “sem finitude e sem arbítrio” - como no poema de Hilda Hilst. Contudo, a sensação dinâmica das linhas e o pulsar das formas não resultam de efeitos ópticos, mas de um processo mental de compreensão da imagem.

O artista trabalhou com rigor matemático, mas desenvolveu um raciocínio lógico e preciso no desempenho das unidades formais, nas suas articulações, nos percursos das formas e nas inter-relações espaciais.

A falta de rigor geométrico é intencional, pretendida e controlada pelo artista. Ela produz uma perturbação sutil na forma e atua como fonte de energia. Luiz Hermano desordena para reordenar, decompõe para compor e, desse modo, revitaliza o conjunto gráfico em movimentos que nos surpreendem, muito embora obedeçam a uma ordem sequencial.

Certamente, nas serigrafias para o álbum XI Teoremas, Luiz Hermano incorporou ao plano a experiência de sua obra tridimensional - dos cubos moles, das geometrias orgânicas.