2016 – Geometria Invertida. Galeria Lume, São Paulo, SP

Cristal - 2 - Alumínio Pintura Eletrostática - 250cmx150cmx140cm - 2016
Cristal - 2 - Alumínio Pintura Eletrostática - 250cmx150cmx140cm - 2016

Paulo Kassab Jr. O inverso do avesso. Publicado no catálogo da exposição: Geometria Invertida, Na Galeria Lume, São Paulo, SP – versão para o inglês: The Reverse's Inverse – 2016

"Só? Na linguagem, assim como na arte construtiva, tem lugar a elevação do homem do nível da percepção sensível ao nível do olhar propriamente ideal. Ambas são os órgãos que, no seu uso, mutuamente se pertencem e que atuam conjuntamente para a aquisição de uma imagem intuitiva do mundo” definiu Ernst Cassirer.

Desde o seu surgimento, o movimento concreto defende que a arte deve ser inteiramente concebida pela espirito antes de sua execução e construída de elementos plásticos em busca de pureza e do rigor formal1. O Significado da obra é a própria obra. No inicio dos anos 50, sob o impacto da I Bienal de São Paulo, o Grupo Ruptura diz em seu manifesto concretista que "a arte é um meio de conhecimento deduzível de conceitos".

Sem apego a definições e com influência da arte concreta, as obras da exposição Geometria Invertida apresentam um mundo mutável e variante que não se mantém nunca o mesmo, mas depende da interação e intuição do espectador para sua constituição. Quadrados, triângulos, losangos e retângulos, brancos ou pretos, soldados em alumínio, surgem em distintas formas e desestabilizam harmonicamente cada uma das peças que emergem em formas gráficas gestaltianas. A realidade das obras são elas mesmas, não exprimem um significado ali presente, conhecido previamente, mas dão uma nova fisionomia e significação ao espeço como um todo.

Apesar do raciocínio matemático, as criações de Luiz Hermano ocorrem a partir da desordem das formas geométricas que, em suas ideias, parecem tornar-se maleáveis e intuitivas. As esculturas se despem da sua rigidez para habitar o imaginário e o onírico. A exposição Geometria Invertida se abre para múltiplas possibilidades de abordagem e nos libera aos nossos próprios devaneios, exibindo cada obra como um instante do mundo2.

1 Theo van Doesburg. Manifesto da arte concreta, revista Art Concret. Paris 1930
2 Gaston Bachelard. O Direito de Sonhar (prefácios, artigos e estudos de 1939 a 1962)